"O sábio nunca diz tudo o que pensa, mas pensa sempre tudo o que diz."

Aristóteles

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A CARTOGRAFIA NO ENSINO FUNDAMENTAL: A PARTIR DO ESPAÇO SOCIAL DO ALUNO


Catarina Maria dos Santos – Professora de Geografia do Instituto Dom Barreto

Nas últimas décadas, a Geografia passou por uma série de transformações, notadamente com relação às concepções teórico-metodológicas. Nesse processo de mudanças, interferem variáveis que compõem sua própria dinâmica, não apenas sob a ação da natureza, mas principalmente decorrentes da ação do homem sobre seu ambiente, em virtude de os avanços tecnológicos estarem cada vez mais ousados.

Nas sociedades capitalistas, essas transformações têm ocorrido de modo mais amplo e, em alguns níveis, até predatórios, mas sempre garantindo formas de dominação de uma sociedade sobre a outra. Para a continuidade e manutenção da hegemonia, podem ser citadas, assim, entre as pesquisas de aperfeiçoamento tecnológico, desde os mapas náuticos mais remotos até os mapeamentos sofisticados mais recentes. Tais recursos utilizam imagens de satélites e o processamento das informações em computadores, técnicas essas que muito têm contribuído para o desenvolvimento dos estudos geográficos, daqueles ligados à exploração de recursos naturais e às questões políticas. Esses estudos podem ser traduzidos na expressão que intitula a obra de Yves Lacoste (1986), segundo a qual “A Geografia – isso serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra”.

A leitura dos Parâmetros Curriculares Nacionais (1998) nos remete ao conceito de Cartografia como um conhecimento que vem se desenvolvendo desde a Pré-História até os dias de hoje e que, por intermédio da Linguagem Cartográfica, se torna possível sintetizar informações, expressar conhecimentos, estudar situações, entre outras coisas – sempre envolvendo a idéia de produção do espaço, sua organização e distribuição. São ainda os Parâmetros Curriculares que reafirmam a importância da Cartografia, ao colocarem como um dos objetivos do estudo de Geografia no Ensino Fundamental, a utilização da linguagem cartográfica, para obter informações e representar a espacialidade dos fenômenos geográficos, sugerindo blocos temáticos, onde elencam conteúdos, como a leitura e a compreensão das informações, que são expressas em linguagem cartográfica.

Destaque-se que a Cartografia sempre esteve no cerne dos conhecimentos geográficos, pois, desde o seu nascimento, tem contribuído tanto para o processo de descobertas e conquistas do espaço pelo homem, quanto para a compreensão, representação e conhecimento do objeto da Geografia: o espaço geográfico. Nesse contexto, a Cartografia integra o corpo do conhecimento geográfico, porque contribui para a construção e a representação das relações sociais em interação com o espaço concreto (ambiente).

Nas escolas brasileiras, os trabalhos realizados junto à área de Cartografia e Ensino, conforme Souza (1994, p.96), vinculam-se a três grandes linhas: Metodologia de Ensino; Teoria da Aprendizagem; Técnicas e Comunicações Cartográficas.

Com relação aos aspectos metodológicos, nos quais se centram este estudo, o desenvolvimento da linguagem cartográfica tem sido legitimado, segundo Joly (1990, p.8), “pelo emprego de um sistema de signos, um pensamento e um desejo de comunicação com outrem [...]”. Na escola, essa linguagem possibilita à criança desenvolver a capacidade de percepção do seu espaço de vivência, através da simbologia, capaz de codificar as informações para representar a espacialidade dos fenômenos geográficos, de forma gradual e contínua. Dessa forma, esse processo torna-se imprescindível para atingir os níveis de abstração necessários à construção do saber geográfico.[1]

Por sua vez, o desenvolvimento da linguagem gráfica torna-se importante desde o início da escolaridade, porque contribui não apenas para que os alunos venham a compreender e a utilizar os mapas, como também para que desenvolvam habilidades e capacidades relativas à representação e leitura do espaço geográfico.

Desta forma, a presente sistematização do modelo de Alfabetização Cartográfica[2], aplicado à 4ª série do Ensino Fundamental, visa fundamentalmente desenvolver e aplicar uma linguagem gráfica, que organize, passo a passo, a apreensão do espaço vivido pelo aluno, e que o habilite a construir conceitos geográficos, indispensáveis ao seu desenvolvimento cognitivo e psicomotor, no âmbito das relações de orientação, de localização, bem como de suas representações.

A abordagem, através da linha Metodologia de Ensino, busca discutir e elaborar técnicas de aprendizagem, para facilitar a construção dos conceitos geográficos. Essa abordagem tem sido, portanto, a referência básica no desenvolvimento do trabalho, que vem sendo realizado em uma escola de Teresina com turmas de alunos da 4ª série do Ensino Fundamental, durante o período de um bimestre letivo, desde o ano de 1995.

A escolha do tema – Cartografia e Ensino – deve-se à importância da Cartografia para o temário geográfico, uma vez que se constitui a base da representação e compreensão do objeto da Geografia: o Espaço Geográfico. A esse respeito, Joly (1990, p.10) destaca que “conhecer e representar a Terra foram os primeiros objetivos da Cartografia. E ainda hoje é a sua maior preocupação [...]”.

Pode-se perceber a importância dos mapas na vida das sociedades, não somente através do ensino formal, mas também da observação de que eles se fazem presentes nos mais variados usos e atividades, aparecendo em revistas, jornais e noticiários de televisão; em gabinetes de políticos e empresários; e sendo usados por economistas, urbanistas, engenheiros e militares, além de geógrafos; servindo também para orientar pessoas em suas viagens.

O local, entretanto, onde o seu uso deve se fazer indispensável é a sala de aula do Ensino Fundamental, por ser nesse momento da vida do cidadão que devem ser iniciados os processos de apreensão dos conhecimentos e da aquisição de habilidades para lidar, entender e representar a realidade.

Estudar esse tema torna-se importante também como contribuição ao processo de adoção de referenciais mais eficientes na área do estudo geográfico, para o nível da 4ª série, uma vez que grande parte dos professores do Ensino Fundamental encontra dificuldades para lecionar os conteúdos cartográficos, principalmente por utilizar um enfoque metodológico na perspectiva tradicional.[3]

A dificuldade no desenvolvimento da apreensão e entendimento dos conteúdos é notada e comentada entre os profissionais da área de Geografia de uma forma geral. Especificamente, pôde-se constatar essa realidade, quando se desenvolveram atividades docentes com alunos dos níveis de Ensino Fundamental e Médio, no Instituto Dom Barreto[4], a partir de 1995. Destaque-se que essa situação não é recente, tendo em vista que os próprios professores sentem dificuldades em trabalhar esse conteúdo, também porque o estudaram na perspectiva tradicional, levando à formação de um círculo vicioso: o professor não ensina porque não sabe e não sabe porque não aprendeu na escola. E, ainda como agravante dessa situação,[5] encontra-se o fato de que grande parte dos professores que ministram esses conteúdos geográficos têm uma formação acadêmica em outras áreas do conhecimento, dificultando ainda mais o processo de construção da noção de espaço pelos alunos das séries iniciais do Ensino Fundamental, o que vai se refletir em todos os níveis de ensino.

Optou-se, na escola citada, pela implantação da linha metodológica que rompe com essa perspectiva tradicional - considerada renovadora, por constituir uma proposta de ensino/aprendizagem que envolve um conjunto de procedimentos que permite ao professor e ao educando participarem da construção dos conhecimentos de Cartografia. Essa metodologia se torna adequada porque favorece a apreensão gradativa das noções recebidas e vivenciadas pelo aluno, para a construção do conceito de espaço geográfico. E essa apreensão é gradualmente construída, através do envolvimento de aspectos cognitivo e psicomotor, que lhes permitirão fazer a passagem do concreto para o abstrato – do simples para o complexo - começando pela representação de pequenas áreas tais como o quarto de dormir, a sala de aula, a rua e a escola - para chegar à representação de grandes áreas, como a cidade, o estado, o país e o planeta.

A inquietude ante essa situação gerou uma necessidade crescente de encontrar uma metodologia que envolvesse os alunos da disciplina Estudos Sociais, numa aprendizagem mais participativa, construída a partir do espaço vivenciado por eles e das noções de espaço, escala e representação cartográfica.

Dessa forma, a inclusão do ensino desse conjunto de conteúdos e habilidades, na 4a série do Ensino Fundamental, utilizando essa metodologia, teve por base a teoria psicogenética de Piaget. Nesse sentido, o contato com professores que trabalham com a perspectiva metodológica considerada renovadora, no curso de pós-graduação da PUCMG em 1994, possibilitou à autora dessa pesquisa a ampliação dos estudos e o início de um trabalho em sala de aula, ao lecionar Geografia para a 4a série do Ensino Fundamental, de forma diferenciada da tradicional, adotando práticas de medição, comparação e representação de elementos próximos do aluno em sala de aula e em outros espaços da escola, desenvolvendo um conjunto de conceitos e técnicas que os levassem a uma leitura crítica dos aspectos do espaço vivido e sua representação cartográfica.

Conversando com os professores da 5a série que acompanhavam os alunos que vivenciaram essa nova abordagem do estudo cartográfico na 4a série, foi possível constatar resultados qualitativos na aprendizagem desses educandos. Esses professores informaram que o procedimento utilizado facilitou o trabalho na 5a série com relação à leitura de mapas.

Essas observações possibilitaram à autora dessa dissertação a localizar/estudar bibliografias referentes ao tema, a escrever artigos, bem como a montar oficinas para professores do Ensino Fundamental e Médio nas cidades de Teresina, São João do Piauí, Floriano, São Raimundo Nonato e Anísio de Abreu, vinculadas ao projeto “Mão-Dupla: a cara alegre do Piauí”, desenvolvidas pela Oficina da Palavra.[6]

Esse trabalho também foi apresentado como uma experiência em ensino de Geografia no 6o Encuentro de Geógrafos da América Latina, em Buenos Aires (1997); no 1o Congresso Internacional em Educação (UFPI - 1998) e no 1o Congresso Regional em Educação (UFPI – 1999) em Teresina – PI, publicado no 7o Encuentro de Geógrafos da América Latina em Porto Rico, e no XII Encontro Nacional de Geógrafos (UFSC – 2000) em Florianópolis-SC, oportunidades em que se discutiu com outros profissionais a importância dessa abordagem da Cartografia no ensino da Geografia.

Tudo isso fortaleceu o desejo de elaborar o presente estudo/pesquisa, buscando avaliar essa metodologia, como ferramenta de análise dos elementos espaciais, utilizando-os numa linguagem gráfica, para obter informações e representações dos fenômenos geográficos. Desta forma, colocada a leitura crítica que possibilite a compreensão, a orientação e a ultrapassagem do nível da simples localização e, enfim envolver o aluno como participante do processo de Alfabetização Cartográfica, e como mapeador consciente do seu espaço de vivência.

Dessa forma, a utilização dessas práticas de estudo aqui analisadas se coloca como forma de contribuição para fortalecer um modelo de Alfabetização Cartográfica, capaz de superar as dificuldades encontradas por alunos e professores no processo de ensino-aprendizagem dos conteúdos cartográficos, contidos no temário da Geografia. Neste sentido, este trabalho procura:

Þ Analisar as contribuições da Cartografia para o processo de ensino-aprendizagem, através dos conteúdos geográficos, presentes no Ensino Fundamental e Médio;

Þ Sistematizar uma metodologia dentro do modelo de Alfabetização Cartográfica, que facilite ao aluno a apreensão de conceitos geográficos, a partir de sua vivência, relativos à construção da representação do espaço geográfico.

Þ Comparar os níveis de aprendizagem dos alunos de 5a a 8a séries do Ensino Fundamental e 1a série do Ensino Médio, já iniciados nos estudos teórico-práticos de Cartografia, que utilizam esse modelo, em relação aos alunos que não passaram por esse processo;

Þ Identificar a contribuição do estudo teórico-prático de Cartografia, no processo de aquisição de um conjunto de conhecimentos e habilidades, necessários à compreensão gradual do Espaço Geográfico pelos alunos do Ensino Fundamental e Médio.

Buscando atingir esses objetivos, estruturou-se o corpo do trabalho em cinco capítulos.

No primeiro, identificou-se o referencial teórico, procurando demonstrar o processo por que passa a criança na construção de referenciais que lhe permita construir, de forma gradativa, a percepção do espaço, partindo do concreto até atingir níveis de abstração crescentes, tomando como base os estudos de Piaget. São destacados autores que atualmente vêm se dedicando a essas questões teóricas, contribuindo para o desenvolvimento da Alfabetização Cartográfica, objeto de estudo deste trabalho.

No segundo capítulo, relatam-se, de forma organizada, as etapas da historicidade do processo de Alfabetização Cartográfica, na 4ª série do Ensino Fundamental, caracterizando o local onde se desenvolveu a pesquisa.

No terceiro capítulo, procurou-se fazer a avaliação dos níveis de aprendizagem proporcionados pela aplicação do modelo de Alfabetização Cartográfica, na 4ª série do Ensino Fundamental, através de uma análise comparativa, a partir dos resultados da verificação dos conhecimentos e habilidades demonstrados por alunos que passaram por esse processo em relação aos alunos que não vivenciaram essa metodologia de ensino.

O quarto capítulo corresponde à apresentação e a análise comparativa dos dados do processo de Alfabetização Cartográfica, através de um conjunto de dados apresentados em tabelas e gráficos, demonstrando os resultados desta experiência de ensino.

Nas considerações finais são feitas algumas conclusões acerca da importância deste trabalho para o processo de ensino/aprendizagem dos conteúdos cartográficos, elementos imprescindíveis à compreensão do temário geográfico, principalmente com relação às construções e representações espaciais, fazendo uma interpretação do espaço onde está localizada a criança até atingir escalas espaciais regional e global, propiciando entendimento e contextualizações que levem à compreensão dos espaços vivenciados.

O Estudo de Cartografia na 4ª série do Ensino Fundamental originou- se como forma de minimizar as dificuldades que os alunos do IDB apresentavam no Ensino Fundamental e Médio, especialmente os da 5a série, quanto à leitura e compreensão de mapas, representações dos conceitos básicos do Espaço Geográfico, porque era nesta série que se iniciavam os estudos de mapas e somente de forma teórica.

Dessa forma, foi concebida e implementada uma programação de estudo de Cartografia de forma sistematizada para todas as séries dessa escola, iniciando-se na 4a série do Ensino Fundamental.

Considerou-se essa série o momento ideal para iniciar o processo de Alfabetização Cartográfica, porque o aluno dessa fase já exercitou noções com operações concretas nas séries iniciais e, por ter em média 10 anos, já se encontra no período operatório de seu desenvolvimento mental, ou seja, já domina as operações concretas e está iniciando a construção das operações lógicas.

Considerou-se, ainda, que, na 5a série, o aluno já vai trabalhar com operações lógicas, no caso da Cartografia corresponde à leitura e interpretação de mapas – que requer abstrações.

Dessa forma, na 4ª série do Ensino Fundamental, esse estudo de Cartografia corresponde a um conjunto de atividades, envolvendo dez etapas, desenvolvidas durante um bimestre letivo, constando de aulas que partem da prática (algumas noções que a criança já possui) para a teoria e desta retornando a uma prática mais enriquecida (noções reconstruídas e ampliadas pela criança). A esse processo denomina-se Alfabetização Cartográfica, por corresponder a um conjunto de símbolos e códigos que permitem à criança adquirir condições de ler, interpretar e representar graficamente as realidades ambiental e social.

Para as séries seguintes, foram sistematizadas atividades cartográficas, com um nível de dificuldade crescente, levando em conta o período mental do educando e a necessidade que tem o cidadão de apreender conhecimentos e desenvolver habilidades, nessa área de estudos.

Considerando que o objetivo principal desta pesquisa corresponde à avaliação desse processo de Alfabetização Cartográfica, a sua realização envolveu a aplicação de questionários e teste aos alunos e entrevista aos professores de Geografia, possibilitando analisar, de forma comparativa, o desempenho dos alunos que passaram por esse processo na 4ª série do Ensino Fundamental, nos anos de 1995, 1996, 1997, 1998 e 1999, no Instituto Dom Barreto, em relação aos que não participaram desse processo, por terem os mesmos entrado na escola a partir da 5ª série do Ensino Fundamental.

Nessa análise identificam-se os índices de aproveitamento e os tipos de dificuldades dos alunos por série – o que possibilita reavaliar a distribuição dos conteúdos cartográficos em todas as séries, contribuindo assim para redefinir a sistematização e distribuição desses conteúdos no currículo escolar.

A análise dos índices de aproveitamento, a partir do teste de Cartografia, bem como das opiniões dos alunos, obtidas através dos questionários para o universo dos alunos pesquisados, demonstra uma coerência entre os resultados obtidos, medidos percentualmente e representados em tabelas e gráficos constantes no capítulo de no 4.

Partindo-se dessa análise, pode-se considerar que:

Þ Os resultados dos questionários e testes dos alunos da 5a série demonstram que a disposição e a facilidade de aprendizagem dos conteúdos cartográficos são significativos, principalmente entre os alunos que participaram do processo de Alfabetização Cartográfica no Instituto Dom Barreto.

Þ Os resultados da 6a, 7a e 8a séries do Ensino Fundamental e 1a série do Ensino Médio demonstram maior variação nos percentuais de alunos que atingiram notas aprovativas, mas sempre acima de 50%. Observa-se no entanto que os alunos que participaram do Processo de Alfabetização Cartográfica apresentam, também, melhor aproveitamento do que aqueles que não participaram desse processo.

Nessa análise, identificaram-se, também, algumas dificuldades dos alunos, em cada série, informações essas complementadas pelo comentário dos professores, nas entrevistas, o que possibilita reavaliar a distribuição dos conteúdos cartográficos e a forma de trabalhá-los em cada série. Com relação a essas dificuldades, pode-se destacar que elas ocorrem principalmente entre os alunos da 7a série do Ensino Fundamental e da 1a série do Ensino Médio. Na 7a série, observou-se que somente os alunos que não participaram do processo de Alfabetização Cartográfica demonstram baixo interesse pelos estudos cartográficos, o que se reflete também no nível de aproveitamento alcançado no teste (cerca de 60% dos alunos com nota acima de 7,5), Considerando-se um baixo índice em relação aos alunos que participaram desse processo (81,25%). Já na 1a série apesar de a maioria dos alunos do G2 terem demonstrado ser minoria às respostas “sim”, com relação ao gosto e à facilidade em aprender os conteúdos cartográficos, no entanto, apresentam bom rendimento no teste, em cerca de 76% dos alunos. Já os alunos que participaram do processo de Alfabetização Cartográfica, mais de 90% desses alunos apresentaram bom desempenho na aprendizagem dos mencionados conteúdos.

Ressalte-se, ainda, que as dificuldades encontradas na 5a série, apesar de serem em menor incidência entre os alunos que participaram do processo de Alfabetização Cartográfica, devem-se principalmente ao fato de que os conceitos de localização e orientação envolvem um certo nível de complexidade que, até para alguns professores, traz algumas dificuldades no seu entendimento e operacionalização.

Como forma de ilustrar a importância da sondagem na opinião dos professores a respeito da avaliação desse processo, foram pinçadas algumas considerações feitas por eles, a esse respeito sobre a questão: Existe relação entre o desempenho geral do aluno na disciplina Geografia e o Estudo de Cartografia?

Sim, pois a grande contribuição da Cartografia nesse aspecto, reside na sua capacidade de globalizar a compreensão dos fenômenos geográficos estudados.

Sim, como o mapa é um instrumento por excelência da abordagem geográfica, conhecendo sua linguagem, o aluno pode compreender mais e melhor os assuntos estudados.

Sim, se o aluno não sabe a linguagem cartográfica, o mesmo não terá capacidade para o entendimento do espaço geográfico.

Sim, quando os alunos conseguem fazer uma leitura mais completa, consciente dos aspectos cartográficos (mapas, cartas, etc.) eles conseguem apreender melhor os conhecimentos geográficos.

Sim, quando os alunos passam a estudar Cartografia, nota-se facilmente uma compreensão mais significativa dos diversos conhecimentos analisados ou estudados. Os alunos, algumas vezes, saem do abstrato e partem para o concreto.

Diante desses resultados e reações, pode-se concluir que esse processo de Alfabetização Cartográfica vem sendo desenvolvido de forma bem significativa para a aprendizagem dos conteúdos cartográficos, especificamente, e, por sua vez, para os conteúdos geográficos. Possibilitando, ainda, uma boa familiaridade e interesse pela linguagem cartográfica, permitindo aos alunos considerem esses conceitos presentes na sua vida.

Destaque-se que, para os alunos que não participaram do processo de Alfabetização Cartográfica, apesar das dificuldades encontradas, de forma mais acentuada em algumas séries, o estudo sistematizado de Cartografia, de forma relacionada, continuada em todas as séries, e o estudo dos conteúdos cartográficos permitiram à maioria dos alunos um bom desempenho em Cartografia, quanto à execução de tarefas e resolução de questões, envolvendo análise e interpretação de tabelas, gráficos e mapas, que constituem a base das representações dos conceitos, predominantes no temário geográfico.

Torna-se, assim, de fundamental importância a ampliação de atividades e pesquisas, que implementem propostas acerca da Cartografia Infantil, para possibilitar o treinamento e atualização de professores de Geografia que trabalham Cartografia com crianças e adolescentes, uma vez que os avanços da Cartografia escolar podem se configurar num eixo de cognição do espaço geográfico.

Ao professor, portanto, reserva-se uma tarefa das mais interessantes, a de despertar o interesse de seus alunos e juntos seguirem a trajetória a ser percorrida para se atingir as etapas de codificação e de decodificação necessárias à compreensão e confecção dos mapas, como forma de melhor entender/viver a realidade.



[1] Por Saber Geográfico, entende-se a compreensão, o entendimento e as noções de mundo geográfico de um indivíduo, partindo do espaço vivenciado e dimensionado na escola.

[2] Modelo desenvolvido por Simielli, tendo por base as teorias de Piaget e Vigotsky, partindo dos estudos e processos de apreensão e representação do espaço, que considera as etapas de desenvolvimento cognitivo da criança.

[3] A metodologia tradicional privilegia a memorização por repetição de conhecimentos prontos, presentes na maioria dos livros didáticos, sem que o educando e até mesmo o professor conheçam e entendam os processos que lhes deram origem.

[4] Instituição de Educação Básica nos níveis de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio, onde também se desenvolvem atividades pedagógicas no âmbito do ensino e da pesquisa.

[5] Observações discutidas pelos professores de Geografia do Instituto Dom Barreto, juntamente com a professora MS Iracilde Maria de Moura Fé Lima, no Laboratório de Geografia “Prof. Dr. Gil Sodero de Toledo” em Julho de 1999.

[6] Espaço Cultural destinado a implementar projetos culturais e educacionais no Estado do Piauí, criado e coordenado pelo professor Cineas Santos desde 1980.

Cartografia

I - INTRODUÇÃO

1 - HISTÓRICO

Mesmo considerando todos os avanços científicos e tecnológicos produzidos pelo homem através dos tempos, é possível, nos dias de hoje, entender a condição de perplexidade de nossos ancestrais, no começo dos dias, diante da complexidade do mundo a sua volta. Podemos também intuir de que maneira surgiu no homem a necessidade de conhecer o mundo que ele habitava.

O simples deslocamento de um ponto a outro na superfície de nosso planeta, já justifica a necessidade de se visualizar de alguma forma as características físicas do "mundo". É fácil imaginarmos alguns dos questionamentos que surgiram nas mentes de nossos ancestrais, por exemplo: como orientar nossos deslocamentos? Qual a forma do planeta? etc..

O conceito de Cartografia tem suas origens intimamente ligadas às inquietações que sempre se manifestaram no ser humano, no tocante a conhecer o mundo que ele habita.

O vocábulo CARTOGRAFIA, etmologicamente - descrição de cartas, foi introduzido em 1839, pelo segundo Visconde de Santarém - Manoel Francisco de Barros e Souza de Mesquita de Macedo Leitão, (1791 - 1856). A despeito de seu significado etmológico, a sua concepção inicial continha a idéia do traçado de mapas. No primeiro estágio da evolução o vocábulo passou a significar a arte do traçado de mapas, para em seguida, conter a ciência, a técnica e a arte de representar a superfície terrestre.

Em 1949 a Organização das Nações Unidas já reconhecia a importância da Cartografia através da seguinte assertiva, lavrada em Atas e Anais:

"CARTOGRAFIA - no sentido lato da palavra não é apenas uma das ferramentas básicas do desenvolvimento econômico, mas é a primeira ferramenta a ser usada antes que outras ferramentas possam ser postas em trabalho."(1)

(1) ONU, Departament of Social Affair. MODERN CARTOGRAPHY - BASE MAPS FOR WORLDS NEEDS. Lake Success.

O conceito da Cartografia, hoje aceito sem maiores contestações, foi estabelecido em 1966 pela Associação Cartográfica Internacional (ACI), e posteriormente, ratificado pela UNESCO, no mesmo ano: "A Cartografia apresenta-se como o conjunto de estudos e operações científicas, técnicas e artísticas que, tendo por base os resultados de observações diretas ou da análise de documentação, se voltam para a elaboração de mapas, cartas e outras formas de expressão ou representação de objetos, elementos, fenômenos e ambientes físicos e socioeconômicos, bem como a sua utilização."

O processo cartográfico, partindo da coleta de dados, envolve estudo, análise, composição e representação de observações, de fatos, fenômenos e dados pertinentes a diversos campos científicos associados a superfície terrestre.

CARTOGRAFIA II

I -REPRESENTAÇÃO CARTOGRÁFICA

1 - TIPOS DE REPRESENTAÇÃO

1.1 - POR TRAÇO

GLOBO - representação cartográfica sobre uma superfície esférica, em escala pequena, dos aspectos naturais e artificiais de uma figura planetária, com finalidade cultural e ilustrativa.

MAPA (Características):

- representação plana;
- geralmente em escala pequena;
- área delimitada por acidentes naturais (bacias, planaltos, chapadas, etc.), político-administrativos;
- destinação a fins temáticos, culturais ou ilustrativos.

A partir dessas características pode-se generalizar o conceito:

" Mapa é a representação no plano, normalmente em escala pequena, dos aspectos geográficos, naturais, culturais e artificiais de uma área tomada na superfície de uma Figura planetária, delimitada por elementos físicos, político-administrativos, destinada aos mais variados usos, temáticos, culturais e ilustrativos."

CARTA (Características):

- representação plana;
- escala média ou grande;
- desdobramento em folhas articuladas de maneira sistemática;
- limites das folhas constituídos por linhas convencionais, destinada à avaliação precisa de direções, distâncias e localização de pontos, áreas e detalhes.

Da mesma forma que da conceituação de mapa, pode-se generalizar:

" Carta é a representação no plano, em escala média ou grande, dos aspectos artificiais e naturais de uma área tomada de uma superfície planetária, subdividida em folhas delimitadas por linhas convencionais - paralelos e meridianos - com a finalidade de possibilitar a avaliação de pormenores, com grau de precisão compatível com a escala."

PLANTA - a planta é um caso particular de carta. A representação se restringe a uma área muito limitada e a escala é grande, consequentemente o nº de detalhes é bem maior.

"Carta que representa uma área de extensão suficientemente restrita para que a sua curvatura não precise ser levada em consideração, e que, em consequência, a escala possa ser considerada constante."


4.1.1 - GERAL

São documentos cartográficos elaborados sem um fim específico. A finalidade é fornecer ao usuário uma base cartográfica com possibilidades de aplicações generalizadas, de acordo com a precisão geométrica e tolerâncias permitidas pela escala.

Apresentam os acidentes naturais e artificiais e servem, também, de base para os demais tipos de cartas.

4.1.1.1 - CADASTRAL

Representação em escala grande, geralmente planimétrica e com maior nível de detalhamento, apresentando grande precisão geométrica. Normalmente é utilizada para representar cidades e regiões metropolitanas, nas quais a densidade de edificações e arruamento é grande.

As escalas mais usuais na representação cadastral, são: 1:1.000, 1:2.000, 1:5.000, 1:10.000 e 1:15.000.

Mapa de Localidade - Denominação utilizada na Base Territorial dos Censos para identificar o conjunto de plantas em escala cadastral, que compõe o mapeamento de uma localidade (região metropolitana, cidade ou vila).

4.1.1.2 - TOPOGRÁFICA

Carta elaborada a partir de levantamentos aerofotogramétrico e geodésico original ou compilada de outras cartas topográficas em escalas maiores. Inclui os acidentes naturais e artificiais, em que os elementos planimétricos (sistema viário, obras, etc.) e altimétricos (relevo através de curvas de nível, pontos colados, etc.) são geometricamente bem representados.

As aplicações das cartas topográficas variam de acordo com sua escala:

1:25.000 - Representa cartograficamente áreas específicas, com forte densidade demográfica, fornecendo elementos para o planejamento socioeconômico e bases para anteprojetos de engenharia. Esse mapeamento, pelas características da escala, está dirigido para as áreas das regiões metropolitanas e outras que se definem pelo atendimento a projetos específicos. Cobertura Nacional: 1,01%.

1:50.000 - Retrata cartograficamente zonas densamente povoadas, sendo adequada ao planejamento socioeconômico e à formulação de anteprojetos de engenharia.

A sua abrangência é nacional, tendo sido cobertos até agora 13,9% do Território Nacional, concentrando-se principalmente nas regiões Sudeste e Sul do país.

1:100.000 - Objetiva representar as áreas com notável ocupação, priorizadas para os investimentos governamentais, em todos os níveis de governo- Federal, Estadual e Municipal.

A sua abrangência é nacional, tendo sido coberto até agora 75,39% do Território Nacional.

1:250.000 - Subsidia o planejamento regional, além da elaboração de estudos e projetos que envolvam ou modifiquem o meio ambiente.

A sua abrangência é nacional, tendo sido coberto até o momento 80,72% do Território Nacional.

Mapa Municipal : Entre os principais produtos cartográficos produzidos pelo IBGE encontra-se o mapa municipal, que é a representação cartográfica da área de um município, contendo os limites estabelecidos pela Divisão Político-Administrativa, acidentes naturais e artificiais, toponímia, rede de coordenadas geográficas e UTM, etc..

Esta representação é elaborada a partir de bases cartográficas mais recentes e de documentos cartográficos auxiliares, na escala das referidas bases.

O mapeamento dos municípios brasileiros é para fins de planejamento e gestão territorial e em especial para dar suporte as atividades de coleta e disseminação de pesquisas do IBGE.

4.1.1.3 - GEOGRÁFICA

Carta em que os detalhes planimétricos e altimétricos são generalizados, os quais oferecem uma precisão de acordo com a escala de publicação. A representação planimétrica é feita através de símbolos que ampliam muito os objetos correspondentes, alguns dos quais muitas vezes têm que ser bastante deslocados.

A representação altimétrica é feita através de curvas de nível, cuja equidistância apenas dá uma idéia geral do relevo e, em geral, são empregadas cores hipsométricas. São elaboradas na escala. 1:500.000 e menores, como por exemplo a Carta Internacional do Mundo ao Milionésimo (CIM).

Mapeamento das Unidades Territoriais : Representa, a partir do mapeamento topográfico, o espaço territorial brasileiro através de mapas elaborados especificamente para cada unidade territorial do país.

Produtos gerados:-Mapas do Brasil (escalas 1:2.500.000,1:5.000.000,1:10.000.000, etc.).

-Mapas Regionais (escalas geográficas diversas).

-Mapas Estaduais (escalas geográficas e topográficas diversas).

4.1.2 - TEMÁTICA

São as cartas, mapas ou plantas em qualquer escala, destinadas a um tema específico, necessária às pesquisas socioeconômicas, de recursos naturais e estudos ambientais. A representação temática, distintamente da geral, exprime conhecimentos particulares para uso geral.

Com base no mapeamento topográfico ou de unidades territoriais, o mapa temático é elaborado em especial pelos Departamentos da Diretoria de Geociências do IBGE, associando elementos relacionados às estruturas territoriais, à geografia, à estatística, aos recursos naturais e estudos ambientais.

Principais produtos: -Cartogramas temáticos das áreas social, econômica territorial,etc.

-Cartas do levantamento de recursos naturais (volumes RADAM).

-Mapas da série Brasil 1:5.000.000 (Escolar, Geomorfológico, Vegetação, Unidades de Relevo, Unidades de Conservação Federais).

- Atlas nacional, regional e estadual.

4.1.3 - ESPECIAL

São as cartas, mapas ou plantas para grandes grupos de usuários muito distintos entre si, e cada um deles, concebido para atender a uma determinada faixa técnica ou científica. São documentos muito específicos e sumamente técnicos que se destinam à representação de fatos, dados ou fenômenos típicos, tendo assim, que se cingir rigidamente aos métodos e objetivos do assunto ou atividade a que está ligado. Por exemplo: Cartas náuticas, aeronáuticas, para fins militares, mapa magnético, astronômico, meteorológico e outros.

Náuticas: Representa as profundidades, a natureza do fundo do mar, as curvas batimétricas, bancos de areia, recifes, faróis, boias, as marés e as correntes de um determinado mar ou áreas terrestres e marítimas.

Elaboradas de forma sistemática pela Diretoria de Hidrografia e Navegação - DHN, do Ministério da Marinha. O Sistema Internacional exige para a navegação marítima, seja de carga ou de passageiros, que se mantenha atualizado o mapeamento do litoral e hidrovias.

Aeronáuticas: Representação particularizada dos aspectos cartográficos do terreno, ou parte dele, destinada a apresentar além de aspectos culturais e hidrográficos, informações suplementares necessárias à navegação aérea, pilotagem ou ao planejamento de operações aéreas.

Para fins militares: Em geral, são elaboradas na escala 1:25.000, representando os acidentes naturais do terreno, indispensáveis ao uso das forças armadas. Pode representar uma área litorânea características topográficas e náuticas, a fim de que ofereça a máxima utilidade em operações militares, sobretudo no que se refere a operações anfíbias.


Texto disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/cartografia/manual_nocoes/indice.htm



III - ELEMENTOS DE REPRESENTAÇÃO (DOC WORD AQUI: ELEMENTOS_DE_REPRESENTA??O.DOC)

Sendo uma carta ou mapa a representação, numa simples folha de papel, da superfície terrestre, em dimensões reduzidas, é preciso associar os elementos representáveis à símbolos e convenções.

As convenções cartográficas abrangem símbolos que, atendendo às exigências da técnica, do desenho e da reprodução fotográfica, representam, de modo mais expressivo, os diversos acidentes do terreno e objetos topográficos em geral. Elas permitem ressaltar esses acidentes do terreno, de maneira proporcional à sua importância, principalmente sob o ponto de vista das aplicações da carta.

Outro aspecto importante é que, se o símbolo é indispensável é determinada em qualquer tipo de representação cartográfica, a sua variedade ou a sua quantidade acha-se, sempre, em função da escala do mapa.

É necessário observar, com o máximo rigor, as dimensões e a forma característica de cada símbolo, a fim de se manter, sobretudo, a homogeneidade que deve predominar em todos os trabalhos da mesma categoria.

Quando a escala da carta permitir, os acidentes topográficos são representados de acordo com a grandeza real e as particularidades de suas naturezas. O símbolo é, ordinariamente, a representação mínima desses acidentes.

A não ser o caso das plantas em escala muito grande, em que suas dimensões reais são reduzidas à escala (diminuindo e tornando mais simples a simbologia), à proporção que a escala diminui aumenta a quantidade de símbolos.

Então, se uma carta ou mapa é a representação dos aspectos naturais e artificiais da superfície da Terra, toda essa representação só pode ser convencional, isto é, através de pontos, círculos, traços, polígonos, cores, etc.

Deve-se considerar também um outro fator, de caráter associativo, ou seja, relacionar os elementos a símbolos que sugiram a aparência do assunto como este é visto pelo observador, no terreno.

A posição de uma legenda é escolhida de modo a não causar dúvidas quanto ao objeto a que se refere. Tratando-se de localidades, regiões, construções, obras públicas e objetos congêneres, bem como acidentes orográficos isolados, o nome deve ser lançado, sem cobrir outros detalhes importantes. As inscrições marginais são lançadas paralelamente à borda sul da moldura da folha, exceto as saídas de estradas laterais.

A carta ou mapa tem por objetivo a representação de duas dimensões, a primeira referente ao plano e a segunda à altitude. Desta forma, os símbolos e cores convencionais são de duas ordens: planimétricos e altimétricos.

1 - PLANIMETRIA

A representação planimétrica pode ser dividida em duas partes, de acordo com os elementos que cobrem a superfície do solo, ou sejam, físicos ou naturais e culturais ou artificiais.

Os primeiros correpondem principalmente à hidrografia e vegetação, os segundos decorrem da ocupação humana, sistema viário, construções, limites político ou administrativos etc.

1.1 - HIDROGRAFIA

A representação dos elementos hidrográficos é feita, sempre que possível, associando-se esses elementos a símbolos que caracterizem a água, tendo sido o azul a cor escolhida para representar a hidrografia, alagados (mangue, brejo e área sujeita a inundação), etc.


Figura 3.1 - Elementos hidrográficos (Carta topográfica esc. 1:100.000)

1.2 - VEGETAÇÃO

Como não poderia deixar de ser, a cor verde é universalmente usada para representar a cobertura vegetal do solo. Na folha 1:50.000 por exemplo, as matas e florestas são representadas pelo verde claro. O cerrado e caatinga, o verde reticulado, e as culturas permanentes e temporárias, outro tipo de simbologia, com toque Figura tivo (Figura 3.2)


Figura 3.2 - Elementos de vegetação (Carta topográfica esc. 1:100.000)

O território brasileiro é subdividido em Unidades Político-Administrativas abrangendo os diversos níveis de administração: Federal, Estadual e Municipal. A esta divisão denomina-se Divisão Político- Administrativa - DPA.

Essas unidades são criadas através de legislação própria (lei federais, estaduais e municipais), na qual estão discriminadas sua denominação e informações que definem o perímetro da unidade.

A Divisão Política-Administrativa é representada nas cartas e mapas por meio de linhas convencionais (limites) correspondente a situação das Unidades da Federação e Municípios no ano da edição do documento cartográfico. Consta no rodapé das cartas topográficas a referida divisão, em representação esquemática.

Nas escalas pequenas, para a representação de áreas político-administrativas, ou áreas com limites físicos (bacias) e operacionais (setores censitários, bairros, etc.), a forma usada para realçar e diferenciar essas divisões é a impressão sob diversas cores.

Nos mapas estaduais, por exemplo, divididos em municípios, a utilização de cores auxilia a identificação, a forma e a extensão das áreas municipais. Pode-se utilizar também estreitas tarjas, igualmente em cores, a partir da linha limite de cada área, tornando mais leve a apresentação.

- Grandes Regiões - Conjunto de Unidades da Federação com a finalidade básica de viabilizar a preparação e a divulgação de dados estatísticos. A última divisão regional, elaborada em 1970 e vigente até o momento atual, é constituída pelas regiões: Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste

- Unidades da Federação: Estados, Territórios e Distrito Federal. São as Unidades de maior hierarquia dentro da organização político-administrativa no Brasil, criadas através de leis emanadas no Congresso Nacional e sancionadas pelo Presidente da República.

- Municípios: São as unidades de menor hierarquia dentro da organização político-administrativa do Brasil, criadas através de leis ordinárias das Assembléias Legislativas de cada Unidade da Federação e sancionadas pelo Governador. No caso dos territórios, a criação dos municípios se dá através de lei da Presidência da República.

- Distritos: São as unidades administrativas dos municípios. Têm sua criação norteadas pelas Leis Orgânicas dos Municípios.

- Regiões Administrativas; Subdistritos e Zonas: São unidades administrativas municipais, normalmente estabelecidas nas grandes cidades, citadas através de leis ordinárias das Câmaras Municipais e sancionadas pelo Prefeito.

- Área Urbana: Área interna ao perímetro urbano de uma cidade ou vila, definida por lei municipal.

- Área Rural: Área de um município externa ao perímetro urbano.

- Área Urbana Isolada: Área definida per lei municipal e separada da sede municipal ou distrital por área rural ou por um outro limite legal.

- Setor Censitário: É a unidade territorial de coleta, formada por área contínua, situada em um único Quadro Urbano ou Rural, com dimensões e número de domicílio ou de estabelecimentos que permitam o levantamento das informações por um único agente credenciado. Seus limites devem respeitar os limites territoriais legalmente definidos e os estabelecidos pelo IBGE para fins estatísticos.

A atividade de atualizar a DPA em vigor consiste em transcrevê-la para o mapeamento topográfico e censitário. Para documentar a DPA se constituiu o Arquivo Gráfico Municipal - AGM, que é composto pelas cartas, em escala topográfica, onde são lançados/representados os limites segundo as leis de criação ou de alteração das Unidades Político Administrativas.


Figura 3.3 - Grandes Regiões do Brasil


Figura 3.4 - Divisão Político-Administrativa

1.4 - LOCALIDADES

Localidade é conceituada como sendo todo lugar do território nacional onde exista um aglomerado permanente de habitantes.

Classificação e definição de tipos de Localidades:

1 - Capital Federal - Localidade onde se situa a sede do Governo Federal com os seus poderes executivo, legislativo e judiciário.

2 - Capital - Localidade onde se situa a sede do Governo de Unidade Política da Federação, excluído o Distrito Federal.

3 - Cidade - Localidade com o mesmo nome do Município a que pertence (sede municipal) e onde está sediada a respectiva prefeitura, excluídos os municípios das capitais.

4 - Vila - Localidade com o mesmo nome do Distrito a que pertence (sede distrital) e onde está sediada a autoridade distrital, excluídos os distritos das sedes municipais.

5 - Aglomerado Rural - Localidade situada em área não definida legalmente como urbana e caracterizada por um conjunto de edificações permanentes e adjacentes, formando área continuamente construída, com arruamentos reconhecíveis e dispostos ao longo de uma via de comunicação.

- Aglomerado Rural de extensão urbana - Localidade que tem as características definidoras de Aglomerado Rural e está localizada a menos de 1 Km de distância da área urbana de uma Cidade ou Vila. Constitui simples extensão da área urbana legalmente definida.

5.2 - Aglomerado Rural isolado - Localidade que tem as características definidoras de Aglomerado Rural e está localizada a uma distância igual ou superior a 1 Km da área urbana de uma Cidade, Vila ou de um Aglomerado Rural já definido como de extensão urbana.

5.2.1 - Povoado - Localidade que tem a característica definidora de Aglomerado Rural Isolado e possui pelo menos 1 (um) estabelecimento comercial de bens de consumo freqüente e 2 (dois) dos seguintes serviços ou equipamentos: 1 (um) estabelecimento de ensino de 1º grau em funcionamento regular, 1 (um) posto de saúde com atendimento regular e 1 (um) templo religioso de qualquer credo. Corresponde a um aglomerado sem caráter privado ou empresarial ou que não está vinculado a um único proprietário do solo, cujos moradores exercem atividades econômicas quer primárias, terciárias ou, mesmo secundárias, na própria localidade ou fora dela.

- Núcleo - Localidade que tem a característica definidora de Aglomerado Rural Isolado e possui caráter privado ou empresarial, estando vinculado a um único proprietário do solo (empresas agrícolas, indústrias, usinas, etc.).

5.2.3 - Lugarejo - Localidade sem caráter privado ou empresarial que possui característica definidora de Aglomerado Rural Isolado e não dispõe, no todo ou em parte, dos serviços ou equipamentos enunciados para povoado.

6 -Propriedade Rural - Todo lugar em que se encontre a sede de propriedade rural, excluídas as já classificadas como Núcleo.

7 - Local - Todo lugar que não se enquadre em nenhum dos tipos referidos anteriormente e que possua nome pelo qual seja conhecido.

8 - Aldeia - Localidade habitada por indígenas.

São representadas, conforme a quantidade de habitantes em nº absolutos pelo seguinte esquema:


Figura 3.5 - Localidades (Carta topográfica esc. 1:250.000)

Variando de acordo com a área, o centro urbano é representado pela forma generalizada dos quarteirões, que compõem a área urbanizada construída. A área edificada, que é representada na carta topográfica pela cor rosa, dá lugar, fora da área edificada, a pequenos símbolos quadrados em preto, representando o casario. Na realidade, um símbolo tanto pode representar uma casa como um grupo de casas, conforme a escala.

Na carta topográfica, dentro da área edificada, é representado todo edifício de notável significação local como prefeitura, escolas, igrejas, hospitais, etc., independentemente da escala.

Conforme a escala, representa-se a área edificada por simbologia correspondente.

Outras construções como barragem, ponte, aeroporto, farol, etc., têm símbolos especiais quase sempre associativo.


Figura 3.6 (a, b, c, d) - Uma mesma localidade representada em várias escalas

1.5 - ÁREAS ESPECIAIS

Área especial é a área legalmente definida subordinada a um órgão público ou privado, responsável pela sua manutenção, onde se objetiva a conservação ou preservação da fauna, flora ou de monumentos culturais, a preservação do meio ambiente e das comunidades indígenas. Principais tipos de Áreas Especiais:

- Parques Nacional, Estadual e Municipal
- Reservas Ecológicas e Biológicas
- Estações Ecológicas
- Reservas Florestais ou Reservas de Recursos
- Áreas de Relevante Interesse Ecológico
- Áreas de Proteção Ambiental
- Áreas de Preservação Permanente
- Monumentos Naturais e Culturais
- Áreas, Colônias, Reservas, Parques e Terras Indígenas

1.6 - SISTEMA VIÁRIO

No caso particular das rodovias, sua representação em carta não traduz sua largura real uma vez que a mesma rodovia deverá ser representada em todas as cartas topográficas desde a escala 1:250.000 até 1:25.000 com a utilização de uma convenção. Assim sendo, a rodovia será representada por símbolos que traduzem o seu tipo, independente de sua largura física. As rodovias são representadas por traços e/ou cores e são classificadas de acordo com o tráfego e a pavimentação. Essa classificação é fornecida pelo DNER e DERs, seguindo o Plano Nacional de Viação (PNV).

Uma ferrovia é definida como sendo qualquer tipo de estrada permanente, provida de trilhos, destinada ao transporte de passageiros ou carga. Devem ser representadas tantas informações ferroviárias quanto o permita a escala do mapa, devendo ser classificadas todas as linhas férreas principais. São representadas na cor preta e a distinção entre elas é feita quanto à bitola. São representados ainda, os caminhos e trilhas.

As rodovias e ferrovias são classificadas da seguinte forma:


Figura 3.7 - Vias de Circulação (Carta topográfica esc. 1:100.000)

1.7 - LINHAS DE COMUNICAÇÃO E OUTROS ELEMENTOS PLANIMÉTRICOS

As linhas de comunicação resumem-se à linha telegráfica ou telefônica e às linhas de energia elétrica (de alta ou baixa tensão).

No rodapé das cartas topográficas constam ainda outros elementos:


Figura 3.8 - Linhas de comunicação e outros elementos planimétricos
(Carta topográfica esc. 1:100.000)

1.8 - LINHAS DE LIMITE

Em uma carta topográfica é de grande necessidade a representação das divisas interestaduais e intermunicipais, uma vez que são cartas de grande utilidade principalmente para uso rural. Na carta em 1:25.000 é possível a representação de divisas distritais, o que não acontece nas demais escalas topográficas.

Numa carta geográfica, a CIM, por exemplo, só há possibilidade do traçado dos limites internacionais e interestaduais.

Conforme as áreas, são representadas certas unidades de expressão administrativa, cultural, etc., como reservas indígenas, parque nacionais e outros.


Figura 3.9 - Linhas de Limites (Carta topográfica esc. 1:250.000)

2 - ALTIMETRIA

2.1 - ASPECTO DO RELEVO

A cor da representação da altimetria do terreno na carta é, em geral, o sépia. A própria simbologia que representa o modelado terrestre (as curvas de nível) é impressa nessa cor. Os areais representados por meio de um pontilhado irregular também é impresso, em geral, na cor sépia.

à medida que a escala diminui, acontece o mesmo com os detalhes, mas a correspondente simbologia tende a ser tornar mais complexa. Por exemplo, na Carta Internacional do Mundo ao Milionésimo (CIM), o relevo, além das curvas de nível, é representado por cores hipsométricas, as quais caracterizam as diversas faixas de altitudes.

Também os oceanos além das cotas e curvas batimétricas, têm a sua profundidade representada por faixas de cores batimétricas.


Figura 3.10 - Escala de cores Hipsométrica e Batimétrica (CIM)

A representação das montanhas sempre constituiu um sério problema cartográfico, ao contrário da relativa facilidade do delineamento dos detalhes horizontais do terreno.

O relevo de uma determinada área pode ser representado das seguintes maneiras: curvas de nível, perfis topográficos, relevo sombreado, cores hipsométricas, etc.

As cartas topográficas apresentam pontos de controle vertical e pontos de controle vertical e horizontal, cota comprovada e cota não comprovada, entre outros.


Figura 3.11 - Elementos altimétricos (Carta topográfica esc. 1:100.000)

Ponto Trigonométrico - Vértice de Figura cuja posição é determinada com o levantamento geodésico.

Referência de nível - Ponto de controle vertical, estabelecido num marco de caráter permanente, cuja altitude foi determinada em relação a um DATUM vertical . É em geral constituído com o nome, o nº da RN, a altitude e o nome do órgão responsável.

Ponto Astronômico - O que tem determinadas as latitudes, longitudes e o azimute de uma direção e que poderá ser de 1ª, 2ª ou 3ª ordens.

Ponto Barométrico - Tem a altitude determinada através do uso de altímetro.

Cota não Comprovada - Determinada por métodos de levantamento terrestre não comprovados. É igualmente uma altitude determinada por leitura fotogramétrica repetida.

Cota Comprovada - Altitude estabelecida no campo, através de nivelamento geométrico de precisão, ou qualquer método que assegure a precisão obtida.

2.2 - CURVAS DE NÍVEL

O método, por excelência, para representar o relevo terrestre, é o das curvas de nível, permitindo ao usuário, ter um valor aproximado da altitude em qualquer parte da carta.

A curva de nível constitui uma linha imaginária do terreno, em que todos os pontos de referida linha têm a mesma altitude, acima ou abaixo de uma determinada superfície da referência, geralmente o nível médio do mar.

Com a finalidade de ter a leitura facilitada, adota-se o sistema de apresentar dentro de um mesmo intervalo altimétrico, determinadas curvas, mediante um traço mais grosso. Tais curvas são chamadas "mestras", assim como as outras, denominam-se "intermediárias". Existem ainda as curvas "auxiliares".


Figura 3.12 - Curvas de Nível

2.2.1 - PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS:

a) As curvas de nível tendem a ser quase que paralelas entre si.

b) Todos os pontos de uma curva de nível se encontram na mesma elevação.

c) Cada curva de nível fecha-se sempre sobre si mesma.

d) As curvas de nível nunca se cruzam, podendo se tocar em saltos d'água ou despenhadeiros.

e) Em regra geral, as curvas de nível cruzam os cursos d'água em forma de "V", com o vértice apontando para a nascente.

2.2.2 - FORMAS TOPOGRÁFICAS

A natureza da topografia do terreno determina as formas das curvas de nível. Assim, estas devem expressar com toda fidelidade o tipo do terreno à ser representado.

As curvas de nível vão indicar se o terreno é plano, ondulado, montanhoso ou se o mesmo é liso, íngreme ou de declive suave.


Figura 3.13 - Formação escarpada e suave

2.2.3 - REDE DE DRENAGEM

A rede de drenagem controla a forma geral da topografia do terreno e serve de base para o traçado das curvas de nível. Desse modo, antes de se efetuar o traçado dessas curvas, deve-se desenhar todo o sistema de drenagem da região, para que possa representar as mesmas.

- Rio: Curso d’água natural que desagua em outro rio, lago ou mar. Os rios levam as águas superficiais, realizando uma função de drenagem, ou seja, escoamento das águas. Seus cursos estendem-se do ponto mais alto (nascente ou montante) até o ponto mais baixo (foz ou jusante), que pode corresponder ao nível do mar, de um lago ou de outro rio do qual é afluente.

De acordo com a hierarquia e o regionalismo, os cursos d’água recebem diferentes nomes genéricos: ribeirão, lajeado, córrego, sanga, arroio, igarapé, etc.

- Talvegue: Canal de maior profundidade ao longo de um curso d’água.

- Vale: Forma topográfica constituída e drenada por um curso d’água principal e suas vertentes.

- Bacia Hidrográfica: "Conjunto de terras drenadas por um rio principal e seus afluentes".

É resultante da reunião de dois ou mais vales, formando uma depressão no terreno, rodeada geralmente por elevações. Uma bacia se limita com outra pelo divisor de águas.

Cabe ressaltar que esses limites não são fixos, deslocando-se em conseqüência das mutações sofridas pelo relevo.

- Divisor de Águas: Materializa-se no terreno pela linha que passa pelos pontos mais elevados do terreno e ao longo do perfil mais alto entre eles, dividindo as águas de um e outro curso d’água. É definido pela linha de cumeeira que separa as bacias.

- Lago: Depressão do relevo coberta de água, geralmente alimentada por cursos d’água e mananciais que variam em número, extensão e profundidade.

- Morro: Elevação natural do terreno com altura de até 300 m aproximadamente.

- Montanha: Grande elevação natural do terreno, com altura superior a 300 m, constituída por uma ou mais elevações.

- Serra: Cadeia de montanhas. Muitas vezes possui um nome geral para todo o conjunto e nomes locais para alguns trechos.

- Encosta ou vertente: Declividade apresentada pelo morro, montanha ou serra.

- Pico: Ponto mais elevado de um morro, montanha ou serra.

2.3 - EQÜIDISTÂNCIA

Na representação cartográfica, sistematicamente, a eqüidistância entre uma determinada curva e outra tem que ser constante.

Eqüidistância é o espaçamento, ou seja, a distância vertical entre as curvas de nível. Essa eqüidistância varia de acordo com a escala da carta com o relevo e com a precisão do levantamento.

Só deve haver numa mesma escala, duas alterações quanto à eqüidistância. A primeira é quando, numa área predominantemente plana, por exemplo a Amazônia, precisa-se ressaltar pequenas altitudes, que ali são de grande importância. Estas são as curvas auxiliares. No segundo caso, quando o detalhe é muito escarpado, deixa-se de representar uma curva ou outra porque além de sobrecarregar a área dificulta a leitura.

Imprescindível na representação altimétrica em curvas de nível é a colocação dos valores quantitativos das curvas mestras.

ESCALA

EQÜIDISTÂNCIA

CURVAS MESTRAS

1: 25.000

10 m

50 m

1: 50.000

20 m

100 m

1: 100.000

50 m

250 m

1: 250.000

100 m

500 m

1: 1.000.000

100 m

500 m

OBS: 1) A curva mestra é a quinta (5ª) curva dentro da eqüidistância normal.

2) Eqüidistância não significa a distância de uma curva em relação à outra, e sim a altitude entre elas, ou seja, o desnível entre as curvas.


Figura 3.16 - Identificação das Curvas mestras

2.4 - CORES HIPSOMÉTRICAS

Nos mapas em escalas pequenas, além das curvas de nível, adotam-se para facilitar o conhecimento geral do relevo, faixas de determinadas altitudes em diferentes cores, como o verde, amarelo, laranja, sépia, rosa e branco.

Para as cores batimétricas usa-se o azul, cujas tonalidades crescem no sentido da profundidade (Figura 3.10).

2.5 - RELEVO SOMBREADO

O sombreado executado diretamente em função das curvas de nível é uma modalidade de representação do relevo.

É executada, geralmente, à pistola e nanquim e é constituida de sombras contínuas sobre certas vertentes dando a impressão de saliências iluminadas e reentrâncias não iluminadas.

Para executar-se o relevo sombreado, imagina-se uma fonte luminosa a noroeste, fazendo um ângulo de 45º com o plano da carta, de forma que as sombras sobre as vertentes fiquem voltadas para sudeste.


Figura 3.17 - Representação do Relevo Sombreado

2.6 - PERFIL TOPOGRÁFICO

Perfil é a representação cartográfica de uma seção vertical da superfície terrestre. Inicialmente precisa-se conhecer as altitudes de um determinado nº de pontos e a distância entre eles.

O primeiro passo, para o desenho de um perfil é traçar uma linha de corte, na direção onde se deseja representa-lo. Em seguida, marcam-se todas as interseções das curvas de nível com a linha básica, as cotas de altitude, os rios, picos e outros pontos definidos. (fig 3.18)

2.6.1 - ESCALAS

Tanto a escala horizontal como a vertical serão escolhidas em função do uso que se fará do perfil e da possibilidade de representa-lo (tamanho do papel disponível).

A escala vertical deverá ser muito maior que a horizontal, do contrário, as variações ao longo do perfil dificilmente serão perceptíveis, por outro lado, sendo a escala vertical muito grande o relevo ficaria demasiadamente exagerado, descaracterizando-o. A relação entre as escalas horizontal e vertical é conhecida como exagero vertical.

Para uma boa representação do perfil, pode-se adotar para a escala vertical um nº 5 a 10 vezes maior que a escala horizontal.

Assim, se H = 50.000 e V = 10.000, o exagero vertical será igual a 5.

2.6.2 - DESENHO

Em um papel milimetrado traça-se uma linha básica e transfere-se com precisão os sinais para essa linha.

Levantam-se perpendiculares no princípio e no fim dessa linha e determina-se uma escala vertical.

Quer seguindo-se as linhas vertical do milimetrado quer, levantando-se perpendiculares dos sinais da linha-base, marca-se a posição de cada ponto correspondente na escala vertical. Em seguida, todos os pontos serão unidos com uma linha, evitando-se traços retos.

Alguns cuidados devem ser tomados na representação do perfil:

- Iniciar e terminar com altitude exata.

- Distinguir entre subida e descida quando existir duas curvas de igual valor.

- Desenhar cuidadosamente o contorno dos picos, se achatados ou pontiagudos.


Figura 3.18 - Perfil topográfico



http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/cartografia/manual_nocoes/indice.htm

Retirado do Site: http://www.professorreginaldo.com.br/cartografia_2_6.html